September souvenirs



Seria um tremendo erro ela tropeçar nas pegadas dele, acompanhar seus pensamentos pra qualquer lugar e escrever versos de amor no seu velho caderno.
Acabou o tempo em que ela esperava ele no banco do pilots da faculdade ainda confusa pela escolha da roupa e sem saber como agir quando ele tentava abraçá-la no meio do filme.
O coração dela ainda dispara quando o vê. Mas a tempos ela não espera uma mensagem sua às 23 horas. E ela não consegue acreditar que ela é a única que percebe o quanto eles são
imperceptíveis juntos. Tantas vezes ele dançou com ela e lhe disse que sempre seria seu par, tantas vezes ela acreditou que seriam coroados juntos, rei e rainha do baile.
Foram apenas planos de festa de formatura, nada mais que isso. Nada mais que fizesse ela querer fugir com ele pra Itália ou qualquer outro lugar sem muita vida humana, nada mais que
fizesse ela ver suas raras qualidades de verão. Não é nada pessoal, acredite. Mas ela tem que admitir que não estão acustumados com toda essa agitação da cidade grande.
Ele não escuta mais quando ela chama seu nome, e nem se importa mais se tem ou não um Subway mais próximo para eles lancharem. Ele não liga se eles não vão mais no show
do doyoulike no fim de semana ou na quarta-feira ou em qualquer outro dia, e não liga se ela fica horas no salão pra assistir ele em algum evento importante. Ele não a espera mais pro
café da tarde. Ele nem toma mais café. Ela precisa é de um amor de verão. Precisa de alguém pra vida inteira. Ela quer é poder escrever coisas especiais e tirar fotos para um único
porta-retrato. Quer saber como é ter uma alma gêmea que realmente nunca morre. Não basta pra ela somente alguns finais de semana. Ela precisa de algo que dure um número par.
Ela tem que esquecer esse amor plastificado, que se deixou empoeirar no fundo da última prateleira de devoluções. Suas tardes de  inverno demoram mais a derreter, porque ela resolveu
cortar relações com o sol. O tempo demora mais a passar, porque ela resolveu não mais crescer. Ela tem que enxergar que o querer não é bem o precisar e que ela tem que desejar não
mais seguir o caminho das mãos dele. Porque ela sente, mas não pode mais tocar e ela tem que continuar a desviar os olhos do curta-metragem que foi o caso dos dois. Ela ainda deve ter
a caixa de presentes deles, com as mesmas palavras rasgadas e pétalas de sentimentos que ele deixou quando saiu pela porta do metrô. Ela ainda deve ter os olhares dele gravados,
deve por suas fotos na vitrola pra tentar esquecer tudo o que ele disse a sós. O telefone toca e ela deixa tocar. Alguém bate na porta e ela deixa esmurrar. Ouve a buzina e deixa buzinar.
Ela escuta pedras na janela e deixa apedrejar. Poderia até ser ele, mas ela sabe que não é. Ela até poderia ter ligado pra ele apenas pra ouvir ele dizer oi, ter o encontrado pra ver seu sorriso,
se declarado apenas pra dizer que tentou. Mas não, ela certamente aprendeu a lição né, que desse tipo de música não se dança mais de uma vez, que ela tem tanta coisa pra fazer e que ela
não faz mais questão de ser idiota ou que a façam de idiota. Na verdade ela nem deve saber se o que tem mais graça é o papel dela de desiludida ou a pose de sobrevivência que ele sempre faz
achando que é feliz, mas não passa de um igual a todos que acha que engana a muitos, mas que um dia enganará a si próprio e se perderá no vão de seus amores mal começados e acabados.


por Ana Paula,
inspirado em Alexsandra Bitencourt

1 comentários:

Anônimo disse...

Deuss
morri!!
seguirei a risca todos esses seus conselhos amiga.... <3
Obrigada!
just it.

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